Trajetória do Owl, parte 3

O notch do Mac finge ser notch

jul de 2026 · escrito em · 3 min de leitura

macOS · Claude Code · Swift · projetos pessoais

Pedi ao Claude um app que morasse no notch do Mac. Ele disse que era possível e fez acontecer.

Numa tarde, saí do zero para um primeiro app funcionando. Não precisei me preocupar com muitos detalhes, porque ele construía e eu revisava, validava e pedia correções. A primeira notificação no notch estava longe de bonita, nada perto do que o Owl é hoje. Mas o maior problema, tirar a ideia do papel, estava resolvido. Dali em diante começavam as interações de verdade.

Escondido atrás do notch

Percebi durante os testes. Ao trocar de espaço de trabalho, vi o Owl escondido na região do notch, atrás dele.

Eu imaginava algo como a Dynamic Island do iPhone. Achava que o Mac teria uma integração parecida, porque o notch seria o lugar ideal para isso. Perguntei ao Claude por que ele tinha feito daquele jeito, já que eu queria um app no notch de verdade, ouvindo o sistema, como acontece no iOS.

A resposta foi que o Mac não tem esse suporte e todo app de notch está fingindo. É uma janela pequena, posicionada exatamente sobre o recorte da tela, se passando por parte dele. Por isso é difícil ter mais de um app ocupando o notch ao mesmo tempo.

Me senti enganado e não acreditei de primeira. Fui pesquisar em várias fontes e, infelizmente, cheguei na mesma resposta.

O que era novo

Uso macOS há tempo, então janelas, permissões e app sem ícone no Dock não me surpreenderam, mas o lugar era novo. No fim, o Owl é como aqueles apps que ficam na barra de menus, só que para as notificações do Claude, e morando escondido no notch.

Pelo caminho apareceram assuntos bem técnicos: um sinal do sistema que derrubava o app (SIGPIPE), as regras de concorrência do Swift 6 e um login item que só funciona com o app em /Applications. Não vou entrar em cada um. Naquele momento o foco era validar se dava para fazer, e validar o Claude.

O bug que eu não sabia descrever

A primeira versão tinha problemas de sobra:

  • a notificação não fechava sozinha e não tinha botão de fechar;
  • não dava para clicar nela para abrir mais opções;
  • não existia nem botão de configurações;
  • a altura do notch não batia com o texto;
  • ela não expandia nem rolava, então, com várias sessões, não dava para ler nem clicar em todas.

Nada disso foi pensado antes. Foi tentativa e erro, com o uso. E foi de propósito. Eu não queria passar muito tempo planejando cada detalhe sem saber se a ideia era viável. Queria validar primeiro e corrigir depois.

O difícil era explicar o que estava errado. Eu estava ocupado com outro problema e pedi para o Claude resolver o visual sozinho. Ele pediu permissão para capturar a minha tela. Disparava notificações para o notch, tirava um print, via como tinha ficado e ajustava, de novo e de novo.

Fiquei com receio de dar essa permissão, por privacidade e segurança. Mas foi o jeito de ele se corrigir sem que eu precisasse descrever cada tentativa. Quando a correção terminou, tirei as permissões de volta, para dormir tranquilo.

No próximo post, conto da primeira vez que usei o Owl de verdade, aprovando comandos pelo notch no meio de uma reunião.

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